A depressão resulta basicamente da falta de eventos reforçadores na vida de um indivíduo. Um evento reforçador é aquele que aumenta a probabilidade da resposta que o produziu. Por exemplo, sair de casa para encontrar com amigos é uma resposta que produz possíveis reforçadores como conversar, paquerar, divertir-se. Portanto, se ao sair com amigos a pessoa obtém reforçadores, ela tenderá sair novamente e assim entrará em contato com estes reforçadores. Quanto mais um indivíduo se comportar, maior é a probabilidade de ele obter reforçadores e se sentir bem. Assim como uma baixa freqüência de atividades leva a uma baixa taxa de reforçamento e a pessoa possivelmente se sentirá deprimida. Note que os sentimentos – sentir-se bem ou sentir-se deprimido – são produzidos pelas contingências de reforçamento. São, portanto, produtos e não causas.
No entanto, existem processos que reduzem o valor reforçador dos estímulos disponíveis e também condições de vida que limitam o acesso aos reforçadores aparecendo, então, os sintomas depressivos. Algumas destas condições ambientais que podem desencadear episódios depressivos são:
- Mudanças drásticas nos esquemas de reforçamento: por exemplo, quando ocorre o fim de um relacionamento. A perda deste companheiro significa que já não há mais oportunidade de emissão de respostas que antes eram reforçadas, bem como reforçadores que eram acessíveis deixam de estar disponíveis. Ou então, no envelhecimento, quando as pessoas perdem habilidades que anteriormente eram usadas para obter reforçadores.
- Viver em um ambiente excessivamente punitivo ou hostil: se quase toda resposta do indivíduo é punida, ele vai aprender a se comportar para fugir da punição, então, desenvolve-se um amplo repertório de fuga-esquiva, o qual compete com a emissão de resposta positivamente reforçada. Por exemplo, um garoto cujo pai proíbe sua ida a festas. O garoto aprende a fugir de apanhar ou de um castigo não indo a festas, mas também não entra em contato com fontes de reforçadores que a festa proporciona como atenção, diversão e afetos.
- Excesso de experiências de imprevisibilidade e incontrolabilidade: se uma pessoa passa por uma história de impossibilidade de controle sobre a ocorrência de eventos aversivos ou de inacessibilidade a reforços positivos aprende a ser passiva, emite uma freqüência baixa de respostas e tem pouca sensibilidade ao reforço.
O tratamento comportamental da depressão é feito através de instalação, fortalecimento e manutenção de repertório de comportamentos que produza reforçamento positivo. É preciso identificar quais são os déficits comportamentais do indivíduo que o levam à falta de reforçadores e ajudá-lo a desenvolver o repertório adequado e variado para suprir esta ausência. Se o caso for grave, ou seja, se o sintomas levam o deprimido a não sair da cama, a não se relacionar socialmente, a não se alimentar de modo adequado, o processo terapêutico pode exigir intervenções mais complexas, tais como atendimento domiciliar, orientação sistemática para a família, contato contínuo com o cliente etc. então deve ser iniciado, além da terapia, um tratamento medicamentoso a partir de orientações de um psiquiatra.
A depressão pode ocorrer num organismo não intacto, ou seja, em pessoas com perturbações neurofisiológicas, problemas hepáticos, tumores, alterações endócrinas etc. Esta possibilidade deve ser considerada desde o início e recomenda-se uma avaliação médica antes de se atribui ao quadro depressivo uma determinação exclusivamente ambiental ou ligada à história de contingências da pessoa. O tratamento, em tais circunstâncias, deve envolver o trabalho integrado entre psicólogo e médico.
Fonte: http://www.terapiaporcontingencias.com.br
Autor: Ana Paula Gouveia Denipote
ITCR Campinas