SIDEBAR
»
S
I
D
E
B
A
R
«
Reflexão: Quando um estímulo é aversivo?
May 18th, 2010 by cyclops

Título: Reflexão: Quando um estímulo é aversivo?

Autor: Nelson Novaes Neto

Ano: 2010

PUC-SP – Psicologia Experimental: Análise do Comportamento

Sidman(1995) descreve que um estímulo somente pode ser classificado como aversivo se a sua apresentação for seguida por uma resposta de evitação, esquiva ou fuga, podendo-se dizer que o organismo está sob o controle do reforçamento negativo, que por seu efeito aumenta a probabilidade dessas ações às quais seguiram. Catania (1999) corrobora que um estímulo aversivo é um reforçador negativo ou um “…estímulo punitivo, ou que suprime o comportamento operante positivamente reforçado durante outro estímulo que o precede.”, ou seja, para que um estímulo possa ser considerado como aversivo é necessário que exista, em primeiro lugar, uma relação entre o responder e a consequência, então a apresentação de um estímulo aversivo pode tornar o responder menos provável ou tornar com que a resposta de remoção seja reforçada.

Na minha opinião, apenas com essas duas definições não é possível classificar de imediato se um estímulo é aversivo sem antes analisar o contexto em que o estímulo e sujeito estão expostos, pois segundo Perone (2003), a aversividade de um estímulo não pode ser separada das contingências ambientais e ela não é uma propriedade inerente do estímulo, mas depende criticamente do contexto ambiental para o estímulo e não pode ser mensurada a parte dos efeitos do estímulo sobre o comportamento. Por exemplo, a aplicação de um choque de determinada amperagem, voltagem e período em um ser humano pode trazer um efeito positivo para a recuperação de lesões musculares, porém a aplicação de um choque com uma alta amperagem e voltagem poderá tornar o choque aversivo.

Seguindo com um outro exemplo hipotético, para um sujeito que está sob privação e seu responder passa a ser mantido sob esquema de reforçamento positivo (comida), provavelmente, o responder apresentará um aumento na taxa das respostas reforçadas e ,consequentemente, uma diminuição do responder conforme a saciação do sujeito. A partir do momento que o estímulo reforçador, comida, não exerce mais controle sobre o responder , o estímulo que era reforçador pode se tornar aversivo e produzir respostas de fuga ou esquiva, reforçamento negativo. Neste exemplo, um estímulo que era reforçador passou a exercer uma condição aversiva decorrente do contexto ambiental, não porque o estímulo comida era um estimulo aversivo, mas porque os estímulos podem ou não ser aversivos dependendo do contexto em que o sujeito e os estímulos se relacionam (Hineline, 1984).

Para um comportamento de fumar é difícil identificar qualquer propriedade aversiva como consequência direta da resposta de fumar. O fumar pode exercer, imediatamente, um efeito reforçador positivo ou negativo para o sujeito, mas com o passar dos anos os efeitos aversivos do fumar tende a ser consequenciado com muito atraso, tornando quaisquer respostas de fuga ou esquiva ineficientes para os efeitos aversivos do fumar.

Uma das importantes consequências do comportamento social é classificar e informar a sociedade sobre os efeitos aversivos do fumar, pois um único indivíduo do grupo pode se apropriar dos avisos de alerta ou participar de ações contra o fumo e, partir deste momento, emitir respostas de fuga e esquiva que venham minimizar a probabilidade da respostas de fumar, não dependendo apenas das conseqüências prejudiciais da sua própria respostas de fumar.

Conforme os exemplos, dependendo do contexto, uma situação pode ser considerada aversiva independentemente das propriedades inerentes de um determinado estímulo, e por consequência pode condicionar determinados estímulos que faziam parte da contingência, tornando-os estímulos aversivos condicionados, que podem exercer controle discriminativo para respostas de fuga ou esquiva da situação aversiva.

Desta forma, considero que a classificação de um estímulo aversivo depende do contexto da operação e da relação entre a resposta e a consequência em que o sujeito e os estímulos estão expostos, e assim pode-se verificar se a apresentação dessa situação é seguida por uma resposta de evitação, esquiva ou fuga.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

  • Share/Bookmark
PUC-SP recebe inscrições para seleção de alunos ao mestrado e doutorado em Análise do Comportamento
Oct 29th, 2009 by cyclops

Estarão abertas as inscrições para o processo seletivo destinado ao mestrado e doutorado no Programa de pós-graduação em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento (PEXP) na PUC-SP.

Podem se inscrever aos cursos de mestrado e doutorado respectivamente portadores de diplomas de cursos de graduação ou títulos de mestre reconhecidos pelo MEC.

São 15 as vagas para o mestrado e 13 para o doutorado na área. A inscrição para ambos os cursos pode ser feita até o dia 13 de novembro de 2009 e custa R$ 200,00. As provas serão realizadas no dia 16/11/2009.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail ancpto@pucsp.br, telefone (11) 3868-3099 ou no edital anexo.

  • Share/Bookmark
ABPMC realiza Encontro anual entre 24 e 26 de agosto em Campinas
Jul 27th, 2009 by cyclops

Nesta edição, em que a ABPMC comemora 18 anos, serão apresentados cerca de 700 trabalhos ao longo dos três dias do evento

A Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC) realiza seu 18º Encontro anual entre os dias 24 e 26 de agosto de 2009 no Royal Palm Plaza, em Campinas.

Neste ano, em que a ABPMC comemora 18 anos de fundação, serão apresentados cerca de 700 trabalhos. São 38 cursos, 103 mesas-redondas, 25 simpósios, 32 Palestras, 165 comunicações orais, 14 primeiros passos e 314 painéis. Serão apresentados também vídeos sobre a história da ABPMC e sobre pesquisadores que contribuíram de forma marcante com a institucionalização da análise do comportamento no Brasil. Serão apresentadas atividades de forma simultânea em 20 salas, das 8h às 20h.

Esses trabalhos envolvem linhas de pesquisa nas áreas teórico-conceitual, experimental, análise do comportamento aplicada, além de estudos clínicos na área de psicologia cognitiva.

Os encontros da ABPMC reúnem anualmente grandes nomes da área, entre psicólogos, pesquisadores, professores, estudantes, médicos e outros profissionais interessados no desenvolvimento científico e tecnológico da análise do comportamento, terapia comportamental, terapia cognitivo-comportamental, medicina comportamental e áreas correlatas.

O Brasil tem hoje a segunda maior comunidade de analistas do mundo. Fica atrás apenas dos Estados Unidos.

Fundada em 1991, a ABPMC é presidida atualmente pela professora Dra Maria Martha Hübner, pesquisadora do Instituto de Psicologia da USP. Martha Hübner representa o Brasil no Conselho Executivo da Association for Behavior Analysis (ABA), instituição internacional que tem por objetivo promover o desenvolvimento e a difusão da análise do comportamento no mundo, por meio do estímulo a pesquisa, educação, prática e difusão de conhecimentos da área.

Mais informações sobre a ABPMC e seu 18º Encontro podem ser obtidas no site www.abpmc.org.br, pelo telefone (19) 3254-3055, e pelo e-mail abpmc@abpmc.org.br

  • Share/Bookmark
Qual seria a visão comportamental da depressão?
May 19th, 2009 by cyclops

A depressão resulta basicamente da falta de eventos reforçadores na vida de um indivíduo. Um evento reforçador é aquele que aumenta a probabilidade da resposta que o produziu. Por exemplo, sair de casa para encontrar com amigos é uma resposta que produz possíveis reforçadores como conversar, paquerar, divertir-se. Portanto, se ao sair com amigos a pessoa obtém reforçadores, ela tenderá sair novamente e assim entrará em contato com estes reforçadores. Quanto mais um indivíduo se comportar, maior é a probabilidade de ele obter reforçadores e se sentir bem. Assim como uma baixa freqüência de atividades leva a uma baixa taxa de reforçamento e a pessoa possivelmente se sentirá deprimida. Note que os sentimentos – sentir-se bem ou sentir-se deprimido – são produzidos pelas contingências de reforçamento. São, portanto, produtos e não causas.

No entanto, existem processos que reduzem o valor reforçador dos estímulos disponíveis e também condições de vida que limitam o acesso aos reforçadores aparecendo, então, os sintomas depressivos. Algumas destas condições ambientais que podem desencadear episódios depressivos são:

  • Mudanças drásticas nos esquemas de reforçamento: por exemplo, quando ocorre o fim de um relacionamento. A perda deste companheiro significa que já não há mais oportunidade de emissão de respostas que antes eram reforçadas, bem como reforçadores que eram acessíveis deixam de estar disponíveis. Ou então, no envelhecimento, quando as pessoas perdem habilidades que anteriormente eram usadas para obter reforçadores.
  • Viver em um ambiente excessivamente punitivo ou hostil: se quase toda resposta do indivíduo é punida, ele vai aprender a se comportar para fugir da punição, então, desenvolve-se um amplo repertório de fuga-esquiva, o qual compete com a emissão de resposta positivamente reforçada. Por exemplo, um garoto cujo pai proíbe sua ida a festas. O garoto aprende a fugir de apanhar ou de um castigo não indo a festas, mas também não entra em contato com fontes de reforçadores que a festa proporciona como atenção, diversão e afetos.
  • Excesso de experiências de imprevisibilidade e incontrolabilidade: se uma pessoa passa por uma história de impossibilidade de controle sobre a ocorrência de eventos aversivos ou de inacessibilidade a reforços positivos aprende a ser passiva, emite uma freqüência baixa de respostas e tem pouca sensibilidade ao reforço.

O tratamento comportamental da depressão é feito através de instalação, fortalecimento e manutenção de repertório de comportamentos que produza reforçamento positivo. É preciso identificar quais são os déficits comportamentais do indivíduo que o levam à falta de reforçadores e ajudá-lo a desenvolver o repertório adequado e variado para suprir esta ausência. Se o caso for grave, ou seja, se o sintomas levam o deprimido a não sair da cama, a não se relacionar socialmente, a não se alimentar de modo adequado, o processo terapêutico pode exigir intervenções mais complexas, tais como atendimento domiciliar, orientação sistemática para a família, contato contínuo com o cliente etc. então deve ser iniciado, além da terapia, um tratamento medicamentoso a partir de orientações de um psiquiatra.

A depressão pode ocorrer num organismo não intacto, ou seja, em pessoas com perturbações neurofisiológicas, problemas hepáticos, tumores, alterações endócrinas etc. Esta possibilidade deve ser considerada desde o início e recomenda-se uma avaliação médica antes de se atribui ao quadro depressivo uma determinação exclusivamente ambiental ou ligada à história de contingências da pessoa. O tratamento, em tais circunstâncias, deve envolver o trabalho integrado entre psicólogo e médico.

Fonte: http://www.terapiaporcontingencias.com.br

Autor: Ana Paula Gouveia Denipote

ITCR Campinas

  • Share/Bookmark
O que está errado com a vida cotidiana no mundo Ocidental?
Apr 18th, 2009 by cyclops

B. F. SKINNER

“Existem muitas coisas erradas com o mundo hoje, mas elas não perturbam a todos. Superpopulação, esgotamento e poluição do meio ambiente, e até mesmo a possibilidade de uma guerra nuclear são freqüentemente desconsiderados como sendo assuntos de um futuro razoavelmente distante. Pobreza, doença e violência são problemas atuais, mas não para todos. Muitos daqueles que vivem nas democracias ocidentais desfrutam de um grau razoável de fartura, liberdade e segurança. Mas eles têm o seu próprio problema. Apesar de seus privilégios, muitos estão aborrecidos, inquietos ou deprimidos. Não estão desfrutando suas vidas. Não gostam daquilo que fazem; não fazem aquilo que gostam. Numa palavra, estão infelizes. Esse não é o mais sério problema no mundo, mas se poderia dizer que é premente. Algo semelhante ao estilo de vida atual no Ocidente é aquilo que a maioria das pessoas almeja desfrutar após ter resolvido seus outros problemas.

Não existiria alguma coisa mais promissora para o futuro da espécie?….”

Vale leitura completa (download): o que está errado com a vida cotidiana do Ocidente?

Fonte: Instituto de Análise Aplicada de Comportamento - http://www.iaac.com.br/

  • Share/Bookmark
»  Substance:WordPress   »  Style:Ahren Ahimsa